Iço a vela da nau que percorre dimensões. O inevitável é o caminho e o inexorável se faz rota. Tomo um punhado de poder à direita e um outro tanto de controle à esquerda. Junto-os em oração.
Meus olhos estão fechados e o campo da visão dá lugar à audição. Ouço e localizo o que está à frente ou o que está perdido no passado. Tudo reverbera com o menor som do casco deslizando por nuvens de mil megatons. Uma entidade zangada faz vista grossa mesmo contrariada.
Invasor! Ela clama em seu pensamento, mas as homenagens foram prestadas e o sacrifício libado foi queimado em holocausto. Pouco pode perante aquele que ousa e segue o ímpeto inabalável.
Não sou mais o navegante ou mesmo o capitão. Como uma esfera no espaço-tempo me movimento por acontecimentos resgatando e realocando energia. Nada se perde.
Abro meus olhos e vejo que a embarcação segue seu caminho por nuvens escuras. Como podem nuvens escuras se tornarem montanhas no céu que apenas a leveza sustenta?
A entidade zangada se afasta ao sentir no ar o cheiro de chuva. Um relâmpago atravessa o horizonte e é evidente que as leis e regras não mais limitam o navegador. Percebo que em momento algum eu fui ele, mas que ele a todo momento foi o reflexo de sua existência dentro de mim.
Percorro memórias e relembro conversas, risadas, fumaça e sorrisos. O arcano é o XV, O Diabo. Talvez ensinar o segredo dessa engrenagem tenha acelerado a velocidade da embarcação. Talvez nada disso seja verdadeiro.
Resgato e reorganizo, uma promessa, um conselho. Me pergunto quanto do que considero eu não é na verdade parte de alguém que passou a me integrar. Não sei a resposta para essa questão pois ainda preciso entender o XV, O Diabo.
Foi um truque que ensinei, ajudou a eliminar o desnecessário em oposição e retirou máscaras para que o rosto sem tinta ou pelo pudesse ser visto em seu esplendor.
Ah entidade zangada, é você responsável pela dor e sofrimento?
Se não pelo sentimento desse tormento, tuas vontade em algum momento foi favorável ao florescer?
Tanto parece perdido em cinco letras, cada qual abrindo um universo para que essa embarcação prossiga. Eternamente!
Quanto é preciso lançar ao céu para que a tristeza se torne felicidade. Para que o desapego se torne verdade.
Eu não sei meu amigo, apenas sei que você fará falta.
Nos vemos no Horizonte…
Em homenagem a Adash Van Teufel * 11/01/82 + 26/11/11












Belíssima homenagem, e acredito que os termos usados tenham uma relação profunda com seu amigo que se foi… Que ele descanse bem.
Foi um grande amigo mesmo. Descansar em paz? Duvido, aposto que ele ta aprontando e se divertindo muito