Continuaçao de: O Olhar de Azazel
- Teu toque é firme, forte e suave ao mesmo tempo.
- Suas mãos lisas e macias… elas fizeram eu me sentir bem.
Amiko ainda ouvia a voz de sua ninfa cada vez que sentia o cheiro dela nos lençóis de sua cama. Bandidos vivem todas emoções possíveis a cada oportunidade, pode não existir amanhã.
Ainda ajeitava o cabelo antes de sair de seu quarto e lembrava também dos assobios de seus comparsas enquanto a garota provavelmente saía. Colocou de volta sua veste e chutou para perto da porta o cálice no qual bebera vinho antes de possuir aquela mulher.
O quarto espaçoso era apenas um dos cinco que foram conectados a uma sala comum a pedido do grupo, o Piazza Da Vinci estava acostumado com esses pedidos de cômodos personalizados e ao passar por aquela porta, receberia aplausos de seus comparsas pelo sucesso.
- Abra – E com esse comando a porta se tornou intangível e foi sumindo da visão como areia caindo em canto algum.
- Amiko!!! – Aquele era Horb, o mais falador do grupo, especialista em bombas e explosões, desde as pequenas quase moleculares, até os monstros que podiam destruir o planeta.
Um urro característico foi feito por Horb, o segundo e terceiro urro que seguiram foram acompanhados por Lamiri, Kirdish e Grigorio. Sucesso enorme coroava aquela noite e os olhos de todos demonstravam isso.
- Pegue seu copo e vamos fazer um brinde a um excelente trabalho! – Grigorio, o Líder calvo e de implante camaleônico no rosto arremessou o copo para Amiko, o conteúdo espirrou levemente e denunciou que ali estava uma dose congelante de Deca-Vodka.
Brindaram fazendo novamente o urro, ao mesmo tempo o rosto de Grigorio formou um padrão luminoso amarelado que demonstrava sua felicidade e os espinhos cromo das costas de Lamiri se projetaram espetando a cadeira onde sentava.
Com um gole todos arremessaram os copos no chão próximo à lixeira e riram de Lamiri tentando soltar de seus espinhos o encosto que fora arrancado da cadeira.
- Veja, veja… Lamiri virou porco espinho e está preso denovo, hahahahahaha! – Horb riu com gosto pois essas situações eram freqüentes desde que Lamiri fizera aquele implante, e Lamiri ainda tinha coragem de dizer que aquilo demonstrava personalidade.
- Pois é Grigorio, trabalho feito, nenhuma gota de sangue derramada… nosso sangue hehehe, e uma autêntica dama conquistada sem pagar! O que mais eu poderia querer para hoje?
- Trabalhamos muito bem ontem pessoal. É, trabalhamos como se trabalha de verdade pelo que recebemos, o chefe vai ficar feliz com o sucesso da operação. – Grigorio do alto de seus dois metros e doze de altura dizia aquilo com convicção enquanto Kirdish mantinha-se quieto bebendo um outro copo de DV.
- Eu não concordo Grigorio, acho que tudo aconteceu rápido e fácil demais. Por que o chefe mandaria cinco de nós apenas para carregar um ator estúpido para um implante de rua? – Com seu sotaque aveludado da região norte da Somália, Kirdish colocou uma dúvida em quase todos comparsas, menos em Grigorio.
- Kirdish, meu velho Kirdish… Não somos mais garotões com mais metal e cristais no corpo que testículo e sangue, acostume-se a receber missões simples e que recompensam bem, porque nelas não admite-se falha. Os jovens que querem subir rápido demais na vida tem mais cristal no corpo que cérebro, teriam feito merda quando quando o atorzinho foi chamado de N’Argentino.
O clima embora feliz havia ficado tenso, com exceção de Amiko que estava acostumado com a vida após os oitenta, e de Grigorio que obedecia cegamenta, os outros rapazes estavam com aquilo na cabeça também.
- Mas cinco de nós Grigorio? Pense bem, recebemos até armamento de assalto para isso!
- Você reclama de bolso cheio Kirdish, quer dividir sua recompensa conosco e se livrar dessa culpa honesta? Hahahahahahaha
A risada de Grigorio e a cobiça de todos outros se juntaram em algo quase histérico em forma de escárnio e zombaria. Kirdish balançou a cabeça e disse com aquele sotaque característico em tom de quem havia sido derrotado.
- Você quem manda Chefe, eu fico com minha recompensa e vou feliz para minha casinha sem ter derramado uma gota de suor.
- É assim que se fala Kirdish, com missões assim vamos nos aposentar mais rápido que…
O Sinal sonoro da porta interrompeu Grigorio, em uma reação condicionada de reflexo ele apontou a arma para a porta principal, olhou para Horb dando sinal para que atendesse.
Horb falou por alguns segundos através do comunicador local e voltou com um olhar sério para Grigorio.
- O rapaz do Motel está dizendo que a polícia procura os donos do caminhão preto Niagara. Não estou gostando disso chefe. – Horb falou em tom sério para deixar claro que não era uma brincadeira, seu tom trêmulo na voz era quase imperceptível, mas sua respiração ofegante dizia que era verdade.
- Diga que estaremos no Salão em 1 minuto para atender nossos “doces servidores da lei”. – O rosto de Grigorio se camuflou na identidade com a qual haviam entrado no país dando reforço a sua voz em tom de comando.
Horb seguiu a ordem dada e voltou para Grigorio pronto a começar questionamentos.
- Não comece Horb, não vamos atacar os guardas pois seria suicídio e notícia instantânea na mesa do chefe.
- O melhor é descermos todos, eu e Lamiri conversamos com os guardas, você confere o número de policiais próximos ao caminhão, Kirdish prepara uma granada de fuga e Amiko… vá tomar um maldito banho e se troque caso seja necessária a sua presença.
- Antes esconda as armas no armário e o mova para o quarto privado, caso eles queiram subir por algum motivo.
Todos seguiram a ordem sem hesitar, os quatro andaram para o corredor do elevador fechando a porta ao saírem, Amiko começou a colocar as armas no armário quando se lembrou, correu para seu quarto e pegou as armas que havia exibido para a fêmea mais cedo.
Tudo ficou roxo e azul, uma coronhada forte no rosto de Amiko o empurrou de volta para a cama, ele ficou cego por alguns segundos até que viu que a sua frente estava o atorzinho.
O desgraçado estava com uma pistola de projétil gravitacional apontando para ele, Amiko percebeu que aquele modelo era exclusivo da Polícia Inquisitória da Imigração e que mesmo que o atorzinho não tivesse uma mira boa, ele receberia o tiro antes de sair do raio de ação dela.
- Não se levante seu filho da puta, não se levante ou eu vou deixar seu corpo mais negro do que já é. – So faltava espuma saindo da boca do atorzinho que estava como um cão raivoso, Amiko sentiu-se intimidado por aquela careta que unia desespero e cólera e se calou.
- Quem são vocês, e por que me levaram para aquele rancho de carne? RESPONDA!
- Calma aí amigo, atirar em mim…
- Amigo!? – Outra coronhada foi dada em Amiko no queixo, a força e velocidade poderiam ter destroçado sua mandíbula se ela não fosse banhada a blindagem, ele caiu entre os travesseiros de seda vermelha e agradeceu as penas por amortecerem sua cabeça contra a cama.
- Seus amigos estão mortos agora seu imbecil, e você será o próximo se não responder nada do que quero ouvir.
Então Amiko entendeu um pouco daquela situação, o atorzinho estava apenas representando, seu link com os comparsas mostrava que eles estavam vivos e ele estava blefando pois lá dentro em sua cabecinha apenas o medo e o desespero reinavam, sabia que se usasse isso conseguiria um momento para desarmá-lo.
Soltou uma risada como a dada há alguns minutos atrás na sala, a risada era escárnio puro e faria o atorzinho pensar bem no que iria fazer. Afinal, eles estavam em cinco, e ele não poderia matar os cinco.
Mesmo que apenas Amiko fosse morto, quando os rapazes subissem reencontrariam o ator rapidamente graças ao implante localizador, concluiriam o trabalho e sua garantia de saúde cuidaria para que ele voltasse novo em folha.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, pode atirar seu idiota, não estou com medo de você nem de seu tiro, hahahahaha.
Uma gota de fúria foi derramada no caldeirão de emoções daquele ator, aquela gota de fúria era pouco para homens treinados como Amiko pois eles conviviam com aquela gota de fúria diariamente. Mas para o ator aquela gota era ácida demais, causava emoções secundárias intensas e decisivas, aquela gota fez o dedo do ator engatilhar a arma.
CLICK! – A arma estava destravada.
- Hahahaha, nem havia destravado a arma ainda seu idiota? Seu pequeno atorzinho n’Argentino de esgoto, eu vou te mostrar…
Um projétil foi disparado em velocidade próxima ao do som, o calor que ele emitia nos primeiros dois quilômetros era intenso e o ator sentiu esse calor quando o tiro passou, ele olhou para a primeira morte que havia causado em sua vida e sentiu a mistura das sensações de poder e incapacidade.
O ator, Orfeu, olhou mais uma vez e fechou os olhos com medo, abriu-os novamente e respirou fundo.
Penas sintéticas voaram e agora flutuavam pelo quarto daquele motel chique.
Continua…



Agora penso que ele está em apuros XD, se escapar vai ser perseguido pelos bandidos como se fosse uma galinha correndo da
morte… Mas, que vingança seria essa? pois se ele fugir o cara será reconstruído pelo plano de saúde, acho que Orfeu tem que ficar e lutar O.o
Uma coisa, Cara, dá uma olhada ali no texto numa parte que grigorio fala, tem uma palavra errada, e outra a caixa para o texto de comentário na página está excedendo as dimensões e devorando palavras,
.
detalhes e angulos intrinsecamente arranjados para transmitirem uma atmosfera 'real' a quem le, parabéns!! arte pura.