contos

Nem todos escritos são necessariamente parte de um mundo maior, amplo e descrito com vários e vários textos.

Aqui estão contos solitários em sua maioria, selvagens por assim dizer. Ao menos até que um novo universo venha a nascer e passe a englobá-lo.

Terra Pura

Continuação de: O Cão

Doce brisa que soprou, pareceu a princípio que o tempo seria frio, que viria uma leve calmaria no calor que assombrava meu interior e boa parte de meu exterior.

Poderia dizer que estava numa terra velha, mas não pelos princípios do homem e sim por ter sobrevivido a  muitos e muitos povos que por ela passaram. Uma terra primordial, e ainda assim, pura, porém incompleta.
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O Cão

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Estrelas faiscantes despontavam como cascata d’água em um céu soturno.

Ah um cão, um simples e comum cão: Com apenas isso eu desejaria sonhar.

Um cão simples seria fácil de compreender perante o código lógico e imberbe de minha mente inquieta e de meu espírito consternado. Mesmo que não fosse fácil como parece descrito aqui, tenho certeza que seria mais fácil do que sonhar com um cão não usual.
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Uma visita ao inferno

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Vi a gata logo no começo do quarteirão, vestia uma calça de couro vermelho que modelava bem sua pequena bunda, os seios quase não existiam soltos em uma blusa de seda branca com um cavalo marrom estampado, conversava animada com as amigas que compartilhavam aquele mesmo visual antiquado de ativistas feministas.

Acima das mulheres o letreiro do Pussy Cave brilhava com um “a” meio apagado, o verde e o rosa ali já estavam mais poluídos que meus pulmões antes do transplante, a vaqueira jogou a franja para o lado e seu cabelo num tom de palha seca ficou semelhante ao de uma dona de casa antiga. Eu ri.
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Metamorfose

Vítima

Mesmo orando meus olhos entreabertos ainda viam a lenta aproximação de meus agressores. Passo a passo, de forma lenta e calculada, a distância entre nós era reduzida. Em suas faces malformadas o cruel e sarcástico sorriso podia ser visto denunciando dor e sofrimento como desejos.
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Aximurae

A Sabedoria das Feras

Os ventos que sopram são tão antigos quanto a noção de existência.

São manifestações de um caos ordenado anterior mesmo à existência do ser humano, do ser vivo, ou da noção de Ser.

De tão antigos que são os ventos, trazem consigo a memória de tempos do primórdio de tudo. Portanto, para os ventos, nada é novo. Tudo apenas é uma questão de combinação de elementos sob os mais diversos pontos de vista.

Essas são as razões mais simplistas que fazem dos ventos apotecários de toda panacéia para o mal da curiosidade e da ignorância.

Os primeiros a ouvir os ventos, foram os primeiros a aprender e a entender, pois aprenderam dos mais velhos instrutores que a Senhora Gaia em sua infinita capacidade nos colocou a disposição.

No entanto esses primeiros confundiram-se em seu ciclo de aprender e viver, e com o temor de tudo, passaram a valorizar por demais os nuances de cada coisa. Lentamente levantaram de suas quatro patas que tocavam o solo, quase estando em total magnetismo com a mãe, e estenderam seus braços ás estrelas.

Como crianças que não acreditam naquilo que seus pais contam, os segundos procuraram suas próprias verdades, e ao confrontarem a imensidão com aquilo que julgavam certo, temeram,

Medo, voraz amigo e inimigo de todo ser nasceu da ignorância, do desconhecido, das possibilidades . E Medo, como Senhor de grande conhecimento, assumiu seu posto de ensinar, através de si mesmo… através do medo.

Lentamente aqueles que estenderam suas mãos e braços às estrelas, na busca daquilo que sempre esteve entre eles, esqueceram das vozes dos antigos, esqueceram da sabedoria dos amigos que ainda andavam em quatro patas.

Assim foi perdida a Sabedoria das Feras…

Protegido: Condor Zumbi

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