A Sabedoria das Feras
Os ventos que sopram são tão antigos quanto a noção de existência.
São manifestações de um caos ordenado anterior mesmo à existência do ser humano, do ser vivo, ou da noção de Ser.
De tão antigos que são os ventos, trazem consigo a memória de tempos do primórdio de tudo. Portanto, para os ventos, nada é novo. Tudo apenas é uma questão de combinação de elementos sob os mais diversos pontos de vista.
Essas são as razões mais simplistas que fazem dos ventos apotecários de toda panacéia para o mal da curiosidade e da ignorância.
Os primeiros a ouvir os ventos, foram os primeiros a aprender e a entender, pois aprenderam dos mais velhos instrutores que a Senhora Gaia em sua infinita capacidade nos colocou a disposição.
No entanto esses primeiros confundiram-se em seu ciclo de aprender e viver, e com o temor de tudo, passaram a valorizar por demais os nuances de cada coisa. Lentamente levantaram de suas quatro patas que tocavam o solo, quase estando em total magnetismo com a mãe, e estenderam seus braços ás estrelas.
Como crianças que não acreditam naquilo que seus pais contam, os segundos procuraram suas próprias verdades, e ao confrontarem a imensidão com aquilo que julgavam certo, temeram,
Medo, voraz amigo e inimigo de todo ser nasceu da ignorância, do desconhecido, das possibilidades . E Medo, como Senhor de grande conhecimento, assumiu seu posto de ensinar, através de si mesmo… através do medo.
Lentamente aqueles que estenderam suas mãos e braços às estrelas, na busca daquilo que sempre esteve entre eles, esqueceram das vozes dos antigos, esqueceram da sabedoria dos amigos que ainda andavam em quatro patas.
Assim foi perdida a Sabedoria das Feras…