Uma visita ao inferno

julho 1, 2009 em contos

Azazel1

Vi a gata logo no começo do quarteirão, vestia uma calça de couro vermelho que modelava bem sua pequena bunda, os seios quase não existiam soltos em uma blusa de seda branca com um cavalo marrom estampado, conversava animada com as amigas que compartilhavam aquele mesmo visual antiquado de ativistas feministas.

Acima das mulheres o letreiro do Pussy Cave brilhava com um “a” meio apagado, o verde e o rosa ali já estavam mais poluídos que meus pulmões antes do transplante, a vaqueira jogou a franja para o lado e seu cabelo num tom de palha seca ficou semelhante ao de uma dona de casa antiga. Eu ri.
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Aximurae

junho 7, 2009 em contos

A Sabedoria das Feras

Os ventos que sopram são tão antigos quanto a noção de existência.

São manifestações de um caos ordenado anterior mesmo à existência do ser humano, do ser vivo, ou da noção de Ser.

De tão antigos que são os ventos, trazem consigo a memória de tempos do primórdio de tudo. Portanto, para os ventos, nada é novo. Tudo apenas é uma questão de combinação de elementos sob os mais diversos pontos de vista.

Essas são as razões mais simplistas que fazem dos ventos apotecários de toda panacéia para o mal da curiosidade e da ignorância.

Os primeiros a ouvir os ventos, foram os primeiros a aprender e a entender, pois aprenderam dos mais velhos instrutores que a Senhora Gaia em sua infinita capacidade nos colocou a disposição.

No entanto esses primeiros confundiram-se em seu ciclo de aprender e viver, e com o temor de tudo, passaram a valorizar por demais os nuances de cada coisa. Lentamente levantaram de suas quatro patas que tocavam o solo, quase estando em total magnetismo com a mãe, e estenderam seus braços ás estrelas.

Como crianças que não acreditam naquilo que seus pais contam, os segundos procuraram suas próprias verdades, e ao confrontarem a imensidão com aquilo que julgavam certo, temeram,

Medo, voraz amigo e inimigo de todo ser nasceu da ignorância, do desconhecido, das possibilidades . E Medo, como Senhor de grande conhecimento, assumiu seu posto de ensinar, através de si mesmo… através do medo.

Lentamente aqueles que estenderam suas mãos e braços às estrelas, na busca daquilo que sempre esteve entre eles, esqueceram das vozes dos antigos, esqueceram da sabedoria dos amigos que ainda andavam em quatro patas.

Assim foi perdida a Sabedoria das Feras…

Protegido: Condor Zumbi

junho 6, 2009 em contos

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