Irradiando… o quê?

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Olá pessoas, como devem saber, o AxisDraco é meu espaço pessoal, nele falo sobre o que quero, quando quero. Logo, com vários outros projetos, ele acaba ficando em um canto guardado, esperando que esses momentos aconteçam. Claro, podem notar também que aos poucos ele vai tomando um direcionamento, direcionamento esse que vai de acordo com o direcionamento da minha vida.

Então, hora de um texto não? Mas que tal um texto mais, diverso? Interessante, assumo.

E que tal um texto diversificando do que escrevo normal (e raramente) aqui? Um texto sobre… diversidade? Oras, bora!

Nesse fim de semana, nos dias 7 e 8 de novembro de 2015, aconteceu em São Paulo o Encontro Irradiativo.

O que é o Encontro Irradiativo? Saber, eu não sei, não compareci. Mas o Manifesto está escrito https://manifestoirradiativo.wordpress.com/, amigos foram e fizeram relato a respeito sobre o evento.

É o tipo de acontecimento/evento que me felicita de existir, por levar adiante a questão da diversidade e fazer algo que realmente era necessário, dar lugar à voz dessa diversidade. Voz elas sempre tiveram, mas não são ouvidas normalmente por opção, por ser “parte do que é tradicional” que é “olhar pro meu umbuguinho” saca?

Qualquer um que tenha frequentado ao menos uma meia dúzia, sabe que os eventos de Ficção Científica e especulativa sempre foram dominados por essa parcela que sempre teve voz, brancos e heterossexuais, mesmo que fossem nerds e sem aceitação massiva. Eventualmente quando aparecia um negro ou gay, isso era visto como atração, como coisa “diferenciada” quando na verdade deveria ser tão comum, que a mensagem seria mais importante que o mensageiro.

Entende a diferença? Uma palestrante trans falando sobre questões trans, unicamente porque isso vai enriquecer quem escreve alguma personagem trans, ou vai elucidar quem tem curiosidade sobre algo. Se isso fosse comum, seria também comum que a trans fosse respeitada, tivesse sua voz ouvida e aceita, considerada válida por todos.

Mas se você frequentou alguns desses eventos, você sabe que não é isso que acontece. E se não frequentou, só posso pedir que acredite nisso.

Ok, nem por isso os personagens negros são inexistentes em histórias, ou gays, trans, ou qualquer outra parcela dessa diversidade. Mas é a velha história de um branco escrevendo a história de um personagem negro. Ele pode ter ideia de como é racismo, pode. Ele pode ter até empatia e achar que tem noção do que é viver com essa mácula imposta sobre ele? Pode!

Mas infelizmente (ou felizmente?) ele não sabe como é o racismo de fato. Esse autor branco, heterossexual, ao escrever um personagem que é negro, trans, ou mesmo uma mulher… por mais que se esforce, seu personagem será um simulacro.

E isso vale para qualquer coisa que saia de nossa experiência, sempre é um simulacro. É uma somatória de achismos e pensamentos, de empatia e projeção sentimental e emocional, é algo que é construído pela pura imaginação, mesmo que seja através de experiências transmitidas a esse autor.

Não que o simulacro não valha nada, notem bem, o simulacro é escrito por qualquer pessoa que escreva algo que não é ela, que não é a experiência dela. Assim é se uma mulher escrever um personagem homem, ou um negro escrever sobre privilégio branco. Ainda será um simulacro.

Agora, coloquemos em pauta quantos autores são homens, brancos, heterossexuais. Ok? Agora comparemos com quantos personagens também são assim. A parcela é grande, não? Agora entenda que cada história que tem um branco heterossexual tem também outros personagens variados. São simulacros, nem por isso eles são menos importantes.

Então perceba, a parcela das pessoas brancas, dos homens e dos heterossexuais, sempre está muito bem servida de personagens bem caracterizados, que podem ser os heróis de quem se vê neles. Mas e os negros? Seus heróis precisam ser apenas simulacros escritos por brancos para preencher cota?

Não acredito que seja esse o caminho.

No entanto há gente que acredite que um evento que procure dar protagonismo à diversidade, que seja elencado por eles, é “promover discriminação”. ORLY? É a mesma falácia do racismo inverso, saca? Eu poderia me alongar nesse assunto e demonstrar a baboseira que é, mas o foco aqui é outro.

O foco é dizer que eu, por mais que seja de uma “minoria” (afinal, gordos também sofrem preconceito) ainda sou branco e heterossexual, logo, por mais que eu já tenha escrito personagens mulheres, gays, trans… também escrevi simulacros.

Um evento desses, onde os brancos e heterossexuais cis não palestram, poderiam “servir” a meus interesses mesquinhos como aprendizado para tornar esses simulacros cada vez mais próximos da realidade, entende? Se eu não tivesse um pingo de empatia, mas ainda assim não fosse racista, discriminatório, eu enxergaria isso, enxergaria essa oportunidade.

Mas eu não careço de empatia, então mesmo tendo minhas discordâncias de muita coisa, eu entendo a necessidade do evento, entendo a necessidade de mais eventos assim, compreendo que isso não é nem a ponta do iceberg que precisa se erguer em forma de montanha para que essa diversidade tenha a sua voz ouvida e para de ser vista como diversidade, mas como algo tão normal quanto um branco heterossexual.

No entanto o Iceberg ainda é branco. Eu SEI que essa diversidade quer erguer sua voz dessa forma? Não, eu apenas teorizo e na minha empatia busco entender isso.

Logo, perceba que eu falei da parte “prática” desse evento para o que não é parte dessa diversidade (mesmo que o seja, mas não saiba ou aceite) mas a parte prática para a sociedade é articular essas pessoas, fazer com que suas necessidades sejam atendidas, como a da maioria o é diariamente. E claro, muito mais que eu provavelmente teria aprendido se tivesse comparecido.

Mas falar que por não ter um palestrante branco, heterossexual, cis-gênero, enquanto eles estão há décadas no protagonismo disso, decidindo quem vai adiante ou não, estão cometendo “discriminação”? Eu não cometo esse tipo de insanidade.

Resumo-me a saber que do que aflige os outros, eu nada sei.

2 thoughts on “Irradiando… o quê?

  1. assume logo que n foi pq a alliah te deu fora. esse texto irradiou recalque

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