Mamãe Kali tem fome

setembro 14, 2009 em blog, Monasticismo

Kali_by_mymongo-lt

Certa vez uma pessoa (um amigo) me falou, como parte de uma frase, a seguinte sentença: “Mamãe Kali tem fome!”

Anos se passam em minhatrajetória de vida até que seja possível entender certas coisas ou ao menos dar a elas um significado.

Já cansei de tanto refletir sobre o significado das coisas, das frases e dos pensamentos, sob a ótica de que o mundo é um espelho: Vemos apenas o que refletimos.

A conflito surge quando minhas noções espirituais se encontram com minhas noções Niilistas, artigo para surtos que, abre uma imensidão de possibilidades desde que eu negue a convenção de que X se opõem a Y, portanto, não podem coexistir tampouco interagir.

Pensar dessa forma no entanto se torna uma exceção à regra sem, no entanto, que hajam exceções a essa regra.

Perdi o tesão de ficar procurando um ponto de apoio do qual não surjam paradoxos indecifráveis pois tornou-se lugar-comum a compreensão de que, a realidade é tão subjetiva quanto objetiva.

Devaneios são para minha mente como o chocolate quente é para eliminar meu frio, um remédio doce porém com restrições. Me pego por vezes pensando na melhor dosagem disso e vejo que o fato de pensar nela me afasta de realmente alcançá-la.

O trabalho que temos em construir determinadas coisas as vezes se torna tão especial que ignoramos o quão aquilo realmente ficou bom apenas para honrar nosso esforço: Ora, que universo injusto é esse no qual meses de trabalho e suor resultam em algo pior que um momento minúsculo de descontração?

É o universo onde Mamãe Kali tem fome, imagino essa pessoa dizendo isso como o conselho de um amigo que se torna uma citação ao qual atribuo um momento de lucidez plena. Não vou esmiuçar se a lucidez é minha ou não. É lucidez e por si só já basta.

Então, ver o fruto de meses de esforço colossal sendo jogados para o triturador da existência que é a boca de Mamãe Kali, deixa de ter um peso dentro de minha vaidade em querer sempre maçãs douradas, realizo:

“Chamada de destruição, a ação e arte de desestruturar algo de sua forma original permitindo que uma nova forma seja possível, a isso eu chamo de uma benção de Mamãe Kali.

Mamãe Kali tem fome!”

É claro, não é ela quem reestrutura de uma forma pragmática, mas por qual motivos na terra deveria eu então, negar meu papel de deus em minhas construções e reestruturação de volts em escala diminuta que transitam pelo cérebro e chamamos de idéia?

Aceitação e desapego nunca me foram fáceis, no entanto, são bizarros e engraçados quando a realidade é compreendida como um livro de piadas baratas e sem um sentindo inefável.

O universo é sincronizado em sua estrutura caótica e a criatividade é uma essência incompreensível.

Mamãe Kali tem fome!

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