Mecano-linguística e Meta-Estética

agosto 12, 2010 em blog

Lain Bootleg – Cyberia club

(clique no play para ouvir a musiquinha enquanto lê)

Computadores aliam língua e estética de forma metafísica e mecânica sendo traduzidas em sensações quando utilizamos tais recursos em nossa presente modernidade.

A origem dessas máquinas é controversa, alega-se  que o primeiro computador foi a primeira forma que o homem utilizou para que tivesse auxílio em fazer contas (equipamento para calcular), teria portanto como ancestral o ábaco. Não diria que está totalmente errado aquele que tem essa ideia de um computador, pois de fato no fim das contas ele é apenas uma máquina que faz contas em altíssima velocidade.

Apenas pergunto aos que tem esse conceito se olham o celular em suas mãos ou mesmo a TV digital que entrega sinais de altíssima qualidade e percebem que são apenas “computadores” mais rápidos ou ainda, ” máquinas de calcular” com Flash Facts. Essa pergunta se faz por conta do esquecimento de duas coisas principais que fazem dos computadores o que são hoje: Estética e Linguística.

Rapidamente qualquer pessoa que tenha entendimento de computadores se lembrará que para conversar com um computador você deve aprender a linguagem dele, seja ela em nível básico podendo solicitar apenas algumas instruções pré-determinadas ou mesmo em um nível ultra-avançado, programando as mais básicas funções que compõem os mais complexos programas. Temos então, linguística.

No entanto não basta apenas saber dar instruções, pois cada instrução é na verdade um emaranhado de outras funções que alcançam linguisticamente um resultado de 0 e 1 de certa forma ininteligíveis para um ser humano qualquer. Imagine, portanto, ter de dizer cada 0 e 1 que compõem seu desejo em um dado pedido ou instrução ao computador, seria uma tarefa bizarra! E então temos a estética?

Sim, a estética está na organização dessas informações desde seu nível mais básico e cru, onde a conversa é apenas de elétrons até mesmo nos níveis mais elevados onde a conversa é feita através de representações significantes que somente tem significado para quem as conhece, mesmo que sejam apenas um ideal.

Este universo “informático” já assumiu de vez sua faceta não elitista, aproveitando ideias de qualquer lugar e origem desde que sejam ideias úteis a determinado conceito ou momento, portanto não se espante se vir por ai um programador dizer que teve ideia para um algoritmo complexo enquanto cortava uma fatia de bife suculento e notava as fibras que formavam a peça.

Enfim, tudo está conectado, e a partir desse ponto Lain, um anime, se desenvolve de uma forma que flerta com o surreal e demonstra que invariavelmente o bater de asas de uma borboleta pode representar um tufão colossal no plano das ideias: Invariavelmente tudo se conecta.

Basta ter olhos para enxergar como cada coisa se conecta, ou pode se conectar a algo, de forma que a capacidade de conexão de assuntos e ideias está unicamente em quem entrelaça tais ideias, e não na ideia ou no assunto em si.

Um dos passos lógicos e importantes da computação pode ser vivenciado pelos que viram celulares Tijolo, e passaram por diversas etapas que envolveram a redução de capacidade e tamanho de um computador para a portabilidade, e utilização “sem fios” em qualquer lugar.

Não quero fazer um review de Lain aqui ou mesmo expor a história da portabilidade dos aparelhos, apenas considerar que um dos caminhos que poderiam ter sido escolhidos para os poderosos telefones e “pocket PC” que carregamos hoje em dia poderia ter sido um caminho que esse anime Lain expôs.

Tivemos algo parecido com os “Knowledge Navigator” que Lain aprendera a usar no decorrer da trama, tivemos o Palm, e sem entrar em discussões se ele herdava ou não genes de Newton ou se deu nascimento a IPhones e IPod Touch, Palm foi o principal representante dessa categoria de PC, o PC de mão.

Considero que a ideia em si é bela muito mais pela sua estética e a linguagem que trazem consigo, de equipamentos que embora pequenos traziam imensas capacidades (alguem ai pensou em wi-fi e “on the fly”?) que suas contrapartes físicas, aquelas que vende-se por ai e que utilizamos no dia a dia.

Não se trata de um saudosismo anacrônico, mas sim de uma visão de um dos muitos caminhos que eram possíveis e com o qual eu me alinhava de modo mais harmônico. Sim, o que mais me desencoraja a usar um IPhone ou IPod Touch é a ausência de Stylus.

Os problemas que essa ausência causa são conhecidos, pois nossos dedos tem a desagradável mania de sujar todas as superfícies vítreas que tocamos (combinação de excreções corporais e pó/fuligem), no entanto possui uma característica bem explorada que é a humanização desses aparelhos, pois você interage com eles apenas com um dedo.

No fim das contas, a balança pende para o lado escolhido mediante padrões e ideias comerciais e tecnológicas, e ao meu ver, se perdem um pouco em possibilidades no caminho do padrão, pois é mais interessante uma língua única que comunique bem ao invés de inúmeras línguas românticas que tenham maior facilidade para isto ou aquilo.

Será?

A resposta deixo a cada um de vocês que encontrarem essas últimas linhas a tarefa de responder, pois antes de ser uma verdade universal, trata-se de uma verdade individual que reflete unicamente a sua linguagem e a sua estética.

Deliciem-se com alguns conceitos abaixo!

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