Neon Azul – Uma experiência sinestésica

setembro 2, 2010 em blog

Coquetel de conforto e desconforto, destilado em um agridoce de sabor etéreo, sinestésico em afirmar seu Azul Neon nas variações de temperatura que atingem desde os picos do gelo Ártico até os fragmentos piroclásticos que se tornam cimento dentro de um homem.

Neon Azul, de Eric Novello, não é um livro em minha concepção, é um reduto de signos catalisadores de histórias de vida e alguns “e se”. Uma experiência que se assemelha a experimentar uma nova bebida, uma droga lícita que você pode comprar sem preocupações.

Totalmente desaconselhado a quem tem problemas em sentir algumas palavras que tocam no regurgitar de sonhos não realizados, ou de fantasias imaginadas, as linhas do Neon se estendem de forma aparentemente solta, conectando-se de forma muitas vezes atemporal.

As entrelinhas que ficam em cada trecho do texto podem assumir algumas bizarrices dependendo do teor alcoólico de quem as experimenta, como foi o caso da leitura da segunda metade deste escrito por esse que aqui escreve.

Na primeira metade senti um resgate estranho de algumas farras memoráveis descontroladas pela intenção e conduzidas pelo sentido, pelo reflexo frente a algumas situações. Qualquer pessoa que tenha praticado durante algum tempo saudável a boêmia moderna irá se identificar com assustadoramente a maior parte das palavras.

O trajeto da segunda parte foi uma imersão ao construto visual, emocional e perceptivo que o Neon oferece a quem encara sua leitura ao sabor de certa ebriedade leve e intencional.

O Homem, o Pelintra não expresso, se torna um ícone inorgânico, confundindo-se em muitos pontos com a entidade materializada no “bar”. Quando li o autógrafo de Eric em meu Neon e lá estavam as seguintes palavras “meio do mal, mas gente boa” imaginei que tinha coisa interessante pelo caminho.

Me perdi um pouco nas ondas musicais de Dionísio e até compartilhei o sabor da sarjeta de Minotauro e Oscar,  encarando uma viagem cáustica a um reduto insano cuja lógica se faz branca-panamá com Jéssica ou mesmo Gabriela.

Não sou um bom crítico daquilo que me agrada, mais que relatar o que li, relato as boas sensações do que li. O que desagrada raramente recebe minha atenção e com isso posso concluir apenas uma coisa ruim quanto ao Neon Azul: Podia ser maior!

Longe de querer uma obra enciclopédica sobre a noite e os relatos de inferninhos em uma tônica que flerta levemente com o sobrenatural, alguns contos a mais poderiam transpor alguns outros aspectos desse império notívago.

Deixo expresso meus parabéns ao Eric Novello por seu livro e à editora Draco pela sagacidade em publicar tal obra, sem dúvidas merece ser lida por quem tem, teve ou deseja ter a verve do espírito noturno sintetizada em algumas folhas de papel.

Links abaixo para quem se interessar!

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