
Que o caminho perene da mortalidade nos mostre o quanto a vida se fundamenta em amor.
Os passos que damos em nossa rota neste plano, o qual chamamos vida, nos conduz por veredas incertas quanto a destino, tendo apenas o presente como maior chance de realidade.
Cada batida do coração nos aproxima do momento derradeiro da vida, e nos faz, em condição mortal, seres viventes cuja vida se apaga mais rápido que uma estrela.
Pensar e agir a cada dia é a forma que podemos fazer do brilho de nossa estrela uma obra com função e fundamento, objetivo e esperança.
Não cabe a ninguém julgar se a vida de outrem valeu a pena, pois nos termos de nossa vivência, somos imperadores em nossa satisfação.
Os entes queridos que se afastam desse plano jamais sumirão completamente de nossos pensamentos pois se tornaram parte de nós.
Cada interação em vida nos faz aquilo que somos em presente, cada conversa, olhar e sorriso integram aquilo que chamamos alma e nos moldam de formas irreversíveis.
Nas lágrimas derramadas com saudade e lembrança, nos forjamos em pessoas melhores na memória dos que nos deixam, em honra a suas existências e com o carinho que reservamos a tais.
Não pense que essas lágrimas nos fazem mal, pois a cada gota que cai apenas reforça a condição que nos faz humanos, reforçamos os laços de nosso amor que ultrapassa a mortalidade.
E no doce desvelar dos novos dias apenas nós podemos ter a certeza de quanto nossas vidas representam. Um dia após o outro, aprendemos a conviver apenas com a lembrança.
A lembrança que nos une na eterna teia de amor.
(Em homenagem a minha amada Tia Ângela)
15/10/2008
- Gabriel Gastaldo