Crônica de um Serrano
julho 20, 2009 em crônica
O dia começa frio, as mãos buscam nas luvas de lã sintética um conforto prometido, o ar respirado torna instável essa certeza.
No ponto de ônibus o frio torna-se evidente, rapidamente o veículo lota por pessoas desesperadas por calor humano. Eu espero o próximo.
Noto o bigode de escova do motorista, lembro de desenhos onde estalagmites surgem devido ao frio, meu riso velado marca o momento.
Solavancos são sentidos no ônibus inteiro próximo ao aeroporto, por um momento de alucinação culpo a turbulência do avião que pousa.
Em uma curva fechada duas pessoa são jogadas para longe, ajudo uma a levantar e a outra deixa expresso seu sonoro “FILHO DA PUTA”!
Dentro da lata os sentimentos contam menos que mãos firmes para segurar-se em qualquer lugar: Uma moça leva isso a sério e quase me arrasta.
Na Sto Amaro Cola é o calor ensacado. Instantâneo e provedor de super poderes é compartilhado por dois jovens perdidos.
Na Morumbi o empresário recebe a cobrança da Alergia Boliviana. O retorno para casa é certo, trocar a camisa manchada de sangue se faz lei.
O fio prateado deixado pelo rapaz a frente evidencia sono intenso. Após limpar e ignorar os a sua volta, um novo sonho até o próximo farol.
Até o cobrador parece ser trazido de seu mundo com a batida dos carros ao lado, mais sonora que visual. Sem feridos, seguimos em frente!
Nos últimos metros me despeço do vidro embaçado ao lado, lá fora o frio me aguarda novamente, luvas e toca são as armas do combate.
No farol uma dona de casa chora, dentro de seu carro ela espera que ninguém veja as marcas da agressão em seu rosto. A criança ao lado dorme.
Um mercado, uma fila, e num barril plástico de cachaça o bom senhor deposita suas confianças de um bom dia. Barras energéticas acompanham.
Por fim o bloco de concreto e vidro se destaca, o cigarro acesso é apagado, o frio intenso pra fora é deixado. Bom Dia!



















